Conjunto Habitacional dos Três Vales – Concurso Público Anónimo – 1º Classificado
O Conjunto Habitacional dos Três Vales, localizado em Almada, surge como uma resposta integrada às necessidades contemporâneas de habitação acessível, aliando qualidade arquitectónica, inclusão social e sustentabilidade. Implantado numa topografia marcada, o projeto procura estabelecer uma relação contínua com a paisagem, organizando os volumes construídos de forma a valorizar os vales existentes e a promover uma vivência coletiva qualificada.
Mais do que um conjunto habitacional, esta intervenção afirma-se como uma infraestrutura social, desenhada para fomentar o sentido de comunidade e garantir condições dignas de habitar. Através de uma abordagem sensível ao território e às dinâmicas urbanas envolventes, o projeto propõe espaços que conciliam privacidade e convivência, contribuindo para a regeneração urbana e para a coesão social.
O projeto foi resultado de um concurso público, no qual tivemos a sorte de ficar classificados em primeiro lugar, desenvolvido no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sendo financiado pela União Europeia – NextGenerationEU, através do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e da República Portuguesa.
Conceito (descrição de concurso)
Junto à Rua dos Três Vales, moram Três irmãos: um mais “crescido” e dois gémeos “menores”. O desenho do lote implica assumir uma implantação do edifício em forma de “L”, mas com a capacidade de criar ambientes e espaços intersticiais que podem relacionar o jardim, com a envolvente, dividindo todo o conjunto em 3 Blocos habitacionais.
No sentido de adequar as tipologias propostas, apresenta-se um sistema de variabilidade de tipologias que se caracteriza pela optimização aos elementos: exposição solar, ventilação cruzada e isolamento periférico. Sempre que a ventilação transversal não é possível existe a ventilação com pelo menos duas frentes a 90 graus em cada fogo, no caso de alguns T1 e T2, que se situam em topos.
As varandas no conjunto promovem a vivência no exterior, adequada a um modo de habitar contemporâneo onde passaram a adquirir maior importância no contexto em que vivemos hoje, após termos passado por confinamentos domésticos, com todas as dificuldades daí decorrentes. (…) decorrem do prolongamento das lajes a sul – onde adquirem a dupla função de platibandas para aquecimento / arrefecimento solar passivo.
O sistema de desfasamento (de 3m) entre as cotas de soleira dos três volumes acima do solo propostos, permite – além de albergar espaços comerciais com pé-direito duplo – soltar o edifício em zonas de arcadas, semi-cobertas, procurando conferir leveza adicional ao conjunto e marcar com uma forte identidade urbana os acessos públicos ao parque urbano.
Por sua vez, entre cada duas entradas de edifícios, colocam-se os estacionamentos de bicicletas cobertos com a dupla função de protecção em zonas de espaço público vividas / vigiadas ao mesmo tempo que delimitam zonas exteriores dedicadas aos apartamentos existentes ao nível dos vários pisos térreos, na forma de terraços fruíveis privados.


















