LUPA - Architecture Studio, Lisbon, Portugal | EB Paula Vicente, Lisboa, Concurso Público, SRU, LUPAstudio - Proposta a concurso
Proposta a concurso, 4º classificado, LUPAstudio, para a Escola Básica Paula Vicente, em Lisboa.
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CC.EBPV.28

Escola Básica Paula Vicente – Concurso Público – 4º Classificado

 

A proposta de requalificação e ampliação da Escola Básica Paula Vicente é concebida a partir da ideia poética e funcional de uma “aldeia escolar”, onde os edifícios são interpretados como casas que, em conjunto, formam um organismo vivo, inclusivo e dinâmico. Esta abordagem afasta-se da lógica do edifício monolítico e introduz um conceito relacional, em que a escola se transforma num microcosmo urbano, com praças, percursos, lugares de encontro e áreas abertas à comunidade, fomentando a integração social, cultural e pedagógica.

A ideia de aldeia assume-se não apenas como uma metáfora, mas como uma estratégia espacial e funcional que privilegia a escala humana, a diversidade e a possibilidade de apropriação dos espaços. Cada volume – existente ou ampliado – é pensado como uma unidade autónoma, mas complementar, e os espaços exteriores deixam de ser áreas residuais para se tornarem praças estruturantes, concebidas para promover convivência, aprendizagem informal e interação entre diferentes utilizadores. Este conceito respeita e potencia os edifícios existentes, mantendo a sua identidade e função, enquanto introduz novos corpos edificados que surgem como extensões coerentes da estrutura original. Os volumes existentes são dois: um corpo contínuo e um corpo a nascente, marcado por uma inflexão, ambos mantidos e ampliados. A estratégia de ampliação consiste na extrusão destes volumes para poente e nascente, criando alas que reforçam a coerência funcional e formal do conjunto. Entre estas expansões, a sua intersecção origina o Volume Central, assumindo-se como espaço de articulação e convergência, enquanto nos extremos surgem novas volumetrias que preservam a lógica funcional dos núcleos originais, mas com uma linguagem renovada.

No conceito de aldeia, as “casas” tradicionais costumam partilhar o mesmo material de construção, conferindo unidade ao conjunto. Inspirados por esta ideia, os novos volumes adotam uma monomaterialidade contemporânea: serão construídos em betão armado pigmentado na cor salmão, de modo que tanto as fachadas como as coberturas exibam o mesmo acabamento manchado. Esta solução cria volumes escultóricos neutros que dialogam subtilmente com as volumetrias originais, reforçando a unidade e, simultaneamente, permitindo que cada “casa” conserve uma identidade própria dentro da aldeia escolar. A organização geral responde a um sistema de ligações claras e percursos intuitivos, unindo os três volumes principais – Volume Central, Volume Poente e Volume Nascente – através de espaços de transição, átrios e praças que se articulam com o exterior. Esta estrutura assegura legibilidade, hierarquização funcional e flexibilidade para usos futuros, em consonância com os princípios do New European Bauhaus, que orientam o projeto na perspetiva da sustentabilidade, inclusão e estética.

 

A reinterpretação dos espaços exteriores transforma o recreio escolar em verdadeiras praças de aldeia, cada uma com personalidade própria, mas sempre em diálogo umas com as outras. Tal como numa aldeia, onde cada casa se abre para um largo, uma rua ou uma fonte, estes recintos oferecem aos utilizadores lugares de encontro, de brincadeira, de conversa e de descoberta. Cada aluno, docente ou visitante pode ali encontrar o seu recanto, explorar livremente, criar memórias e partilhar vivências, nutrindo relações com os outros e com o ambiente envolvente. É neste conjunto de praças dinâmicas, desenhadas por quem delas usufrui, que a Escola Básica Paula Vicente se revela como um organismo vivo — um espaço de excelência educativa, aberto à inovação, ao convívio solidário e ao florescer de práticas pedagógicas que colocam a comunidade no coração do projeto

A organização interna da escola estrutura-se a partir do átrio principal, localizado no piso 0 e acessível pela Praça Central, que funciona como a grande espaço dinamizador interno, com triplo pé-direito, assumindo-se como núcleo articulador entre os volumes existentes e ampliados. Este espaço é mais do que um ponto de distribuição: é um lugar de encontro e convivência, onde se revelam as relações visuais entre diferentes cotas, varandas e galerias, garantindo transparência e continuidade espacial.

O Volume Nascente acolhe as áreas letivas, distribuídas pelos pisos 1 e 2, proporcionando um ambiente reservado e controlado, em conformidade com a sua função pedagógica. No piso 0 deste volume concentram-se as áreas de gestão, serviços administrativos, zonas socioeducativas e espaços destinados a necessidades educativas especiais, com acesso direto à Praça Inclusiva, no espaço exterior, pensado para a integração e para a fruição informal. Esta relação com o exterior assegura conforto, acessibilidade e uma experiência inclusiva para toda a comunidade escolar.

No primeiro piso do Volume Nascente situa-se o Núcleo de Ciências, dotado de laboratórios que se abrem para a Rua das Hortas, onde teoria e prática se articulam num percurso pedagógico contínuo. No segundo piso, organiza-se o Núcleo de Artes Visuais.

O Volume Poente concentra as funções desportivas, num esquema funcional que privilegia a proximidade e a polivalência. No piso 1 situa-se o ginásio principal, com extensão para o Volume Central, permitindo uma utilização flexível e ligação direta aos espaços exteriores desportivos. No piso 2, sobre os balneários dos alunos e com vista sobre o ginásio, localiza-se a sala de ginástica e dança, garantindo eficiência funcional e diversidade de usos.

A biblioteca, posicionada no piso 1, com átrio de entrada e espaço expositivo, e sobranceira ao átrio principal, atua como polo cultural, beneficiando de grande visibilidade. O átrio secundário garante a circulação que conduz ao núcleo desportivo atarves de uma ponte, delimitando em altura a entrada do piso 0 para o átrio principal. Este posicionamento coloca as funções culturais e desportivas no segundo nível funcional do conjunto, associado às áreas abertas à comunidade e destinadas a atividades dinâmicas.

 

No piso 0, em relação direta com a Praça Central e com o campo desportivo central, organizam-se os espaços sociais e de convívio, incluindo refeitório e cafetaria, concebidos como áreas polivalentes que potenciam a interação entre interior e exterior. Junto a este átrio encontra-se ainda uma zona de alpendre com relação directa com a área informal, reinterpretando a antiga zona exterior existente no edifício original, agora redesenhada como espaço protegido, de estadia e de aprendizagem informal.

As circulações verticais – escadas e elevadores – concentram-se no átrio principal, garantindo acessibilidade plena e ligação direta entre todos os pisos. Este sistema articula os dois níveis funcionais definidos: um primeiro nível, mais controlado, destinado às áreas letivas e administrativas, e um segundo nível, dinâmico e permeável, integrado pela biblioteca, pelo ginásio e pelos espaços sociais. A esta estrutura soma-se uma entrada secundária ao nível do piso 1, junto ao Átrio da Biblioteca (espaço expositivo), que permite acesso direto ao ginásio e à biblioteca, assegurando flexibilidade e autonomia para atividades abertas à comunidade fora do horário letivo.

 

A proposta garante também a hierarquização dos espaços no Volume Central, permitindo a total segregação das áreas letivas das áreas dinâmicas sempre que necessário. Num primeiro nível (volume nascente), agrupam-se as funções letivas e de apoio – salas de aula, serviços de gestão, áreas socioeducativas, espaços de docentes e não docentes, bem como as zonas técnicas e de apoio. Num segundo nível (volumes central e poente), concentram-se as áreas dinâmicas não letivas – biblioteca, ginásio, refeitório, cafetaria e espaços de convívio – dotadas de acessos independentes que asseguram a abertura ao público e a realização de atividades extracurriculares sem interferir no funcionamento regular das aulas. Deste modo, o Volume Central torna-se um filtro flexível, capaz de ligar ou isolar dois mundos funcionalmente distintos, garantindo ao mesmo tempo segurança, clareza organizativa e a liberdade de uso que caracteriza uma escola contemporânea.

 

Esta organização não se limita à resposta funcional: traduz-se numa experiência arquitetónica rica, onde os percursos, as relações visuais e os espaços de permanência constroem um ambiente de aprendizagem inclusivo, flexível e integrado com a envolvente.

 

 

 

Programa: Escola Básica Paula Vicente

Localização: Restelo, Lisboa

Ano/Fase: Concurso Público, 2025, Proposta – 4º Classificado;

Promotor: Lisboa Ocidental SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana E.M., S.A.

Arquitectura: LUPAstudio

Área Bruta de Construção: 7987,74m²

Date

14/04/2026

Category

Concursos, Educativo, Equipamento