Escola Básica Professor Delfim Santos – Concurso Público
«Educar para a inclusão»
O lema do Agrupamento de Escolas das Laranjeiras: «Sapere aude», Ousa saber, reflete-se no trabalho de toda a comunidade – Ousa saber viver com os outros, Ousa saber mais e melhor, Ousa saber fazer, Ousa saber aprender.
A Escola Básica Delfim Santos tem a particularidade de ser reconhecida pelo acompanhamento de alunos com necessidades específicas, em especial crianças com perturbações do espectro autista. Para alcançar um modelo inclusivo ideal, todo o projeto será fruto de uma atenção especial dada a este público e a toda a população escolar, sem esquecer o seu impacto na comunidade em geral. O desafio é que cada pessoa seja acolhida e respeitada por todos.
Com estas premissas presentes a proposta assenta na ideia de uma escola com espaços multifuncionais, orientada para o aluno e para a comunidade, onde a escola é desenhada através de 3 patamares e 3 conjuntos de volumes de forma a tirar partido da urografia natural do terreno e dos patamares existente no recinto. A necessidade de demolição da escola existente passa pelo princípio de que a sua disposição funcional e dispersão volumétrica ( escola pavilhonar) limita a organização e multifuncionalidade dos espaços, assim como a distribuição de espaços de recreio exterior. Deste modo, surgiu a necessidade de criar um edifício escolar que corresponda às necessidades e exigências funcionais, sociais e ambientais atuais, com escala e desenho adequados ao lugar e á cidade. A acessibilidade universal interior e exterior sem recurso a meios mecânicos orientou toda a proposta, existindo a possibilidade da instalação de elevadores ou plataformas elevatórias.
Duas linhas de força “paralelas” às duas vias de acesso e a ortogonalidade da escola existente ( edifícios e espaços exteriores) sugerem a geometria dominante. É criada uma plataforma principal à cota 91.00 de encontro e intersecção entre cheio e vazio, construído e natural.
Nesta plataforma surge um conjunto de volumes paralelos ao ginásio existente, nascidos do terreno com cobertura ajardinada e que albergam: o volume a sul – bloco BEGH, com as zonas de entrada e atendimento geral, a biblioteca, os espaços de gestão e de apoio socioeducativo e espaços de pessoal e que filtra o espaço exterior de entrada e encontro do recreio central – a agora do aluno; delimitando a norte o recreio central surge o bloco C dos espaços socias e de convívio e espaços de aluno.
Na plataforma intermédia à cota 94.00 surge o edifício do pavilhão existente, que é reabilitado e torna-se no ponto de partida de um gesto de composição volumétrica, de onde partiu o desenho de um grande corpo que contém os espaços desportivos interiores e os espaços de ensino artístico especializado (auditório), odos espaços de pé direito generoso ( 6 a 7m). Na mesma plataforma localiza-se o espaço desportivo coberto como espaço de transição entre plataformas.
Sobre os dois volumes paralelos do piso térreo é pousado perpendicularmente o volume de dois pisos de salas de aula que terá um pátio/logradouro central que servirá de transição entre o espaço de recreio e a sala de aula.
Na plataforma superior à cota 97.00 reabilita-se o espaço desportivo exterior descoberto mediado por duas zonas verdes arborizadas. Os três volumes que compõem o projeto estão dispostos sobre os 3 patamares do terreno, de maneira que exista um maior aproveitamento dos espaços de recreio exterior que se vão formando a diferentes cotas e fazem a ligação entre elas de maneira subtil.
Os novos volumes assumem a sua presença como um testemunho de um novo tempo e de uma abordagem de matriz contemporânea, que permeia toda a intervenção, incluindo a nova fachada do ginásio existente a reabilitar.
Os revestimentos em betão armado “à vista “ e o tijolo “burro” assumem a condição do material como estrutura, revestimento e acabamento final, permitindo rapidez na execução e durabilidade no uso.
Está crueza material e clareza funcional remetem para várias referência da arquitectura do movimento moderno, tanto em Portugal com os exemplos do arq.º Rui Athouguia na escola secundária Padre António Vieira e Fundação Gulbenkian como na europa com o arq.º Alvar Aalto e as suas Universidades de Jyväskylä e Politécnica de Helsínquia.
Acessibilidade e espaços exteriores
A organização dos espaços exteriores baseia-se no conceito de «Pátios Oásis», de forma a proporcionar uma resposta global aos diferentes desafios climáticos e educativos.
Trata-se de uma abordagem inovadora que transforma os pátios escolares tradicionais num ambiente mais natural e ecológico.
O objetivo é criar um local mais agradável, propício ao brincar, à aprendizagem e ao relaxamento, promovendo a biodiversidade e combatendo as ilhas de calor urbanas.
As principais características deste tipo de intervenção são o aumento das zonas verdes, a “desimpermeabilização” dos solos, a utilização de materiais sustentáveis (reutilizados, reciclados e/ou inovadores), a participação dos utilizadores, a instalação de elementos lúdicos com uma distribuição de zonas calmas e zonas mais ativas, etc.
A integração de pátios-oásis nas escolas traz inúmeras vantagens: melhoria do bem-estar de crianças e adultos, sensibilização para o ambiente, abertura a novos métodos e pedagogias de ensino, adaptação às alterações climáticas, redução das desigualdades sociais, etc.
O recreio foi pensado como um espaço dinâmico, inclusivo e multifuncional, que responde às diferentes necessidades e ritmos dos alunos ao longo do dia.
















