LUPA - Architecture Studio, Lisbon, Portugal | EB Delfim Santos, Lisboa, Concurso Público, SRU, LUPAstudio - Proposta a concurso
Proposta a concurso LUPAstudio - 8º classificado - para a Escola Básica Professor Delfim Santos, em Lisboa.
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CC.EBPDS.27

Escola Básica Professor Delfim Santos – Concurso Público

 

«Educar para a inclusão»

O lema do Agrupamento de Escolas das Laranjeiras: «Sapere aude», Ousa saber, reflete-se no trabalho de toda a comunidade – Ousa saber viver com os outros, Ousa saber mais e melhor, Ousa saber fazer, Ousa saber aprender.

A Escola Básica Delfim Santos tem a particularidade de ser reconhecida pelo acompanhamento de alunos com necessidades específicas, em especial crianças com perturbações do espectro autista. Para alcançar um modelo inclusivo ideal, todo o projeto será fruto de uma atenção especial dada a este público e a toda a população escolar, sem esquecer o seu impacto na comunidade em geral. O desafio é que cada pessoa seja acolhida e respeitada por todos.

Com estas premissas presentes a proposta assenta na ideia de uma escola com espaços multifuncionais, orientada para o aluno e para a comunidade, onde a escola é desenhada através de 3 patamares e 3 conjuntos de volumes de forma a tirar partido da urografia natural do terreno e dos patamares existente no recinto. A necessidade de demolição da escola existente passa pelo princípio de que a sua disposição funcional e dispersão volumétrica ( escola pavilhonar) limita a organização e multifuncionalidade dos espaços, assim como a distribuição de espaços de recreio exterior. Deste modo, surgiu a necessidade de criar um edifício escolar que corresponda às necessidades e exigências funcionais, sociais e ambientais atuais, com escala e desenho adequados ao lugar e á cidade. A acessibilidade universal interior e exterior sem recurso a meios mecânicos orientou toda a proposta,  existindo a possibilidade da instalação de elevadores ou plataformas elevatórias.

Duas linhas de força “paralelas” às duas vias de acesso  e a ortogonalidade da escola existente  ( edifícios e espaços exteriores) sugerem a geometria dominante. É criada uma plataforma principal à cota 91.00 de encontro e intersecção entre cheio e vazio,  construído e natural.

Nesta plataforma surge um conjunto de volumes paralelos ao ginásio existente, nascidos do terreno com cobertura ajardinada e que albergam: o volume a sul – bloco BEGH,  com  as zonas de entrada e atendimento geral, a biblioteca, os espaços de gestão e de apoio socioeducativo e espaços de pessoal e que filtra o espaço exterior de entrada e encontro do recreio central – a agora do aluno; delimitando a norte o recreio central surge o bloco C dos espaços socias e de convívio e espaços de aluno.

Na plataforma intermédia à cota 94.00 surge o edifício do pavilhão existente, que é reabilitado e torna-se no ponto de partida de um gesto de composição volumétrica, de onde partiu o desenho de um grande corpo que contém os espaços desportivos interiores e os espaços de ensino artístico especializado (auditório), odos espaços de pé direito generoso ( 6 a 7m). Na mesma plataforma localiza-se o espaço desportivo coberto  como espaço de transição entre plataformas.

Sobre os dois volumes paralelos do piso térreo é pousado perpendicularmente o volume de dois pisos de salas de aula que terá um pátio/logradouro central que servirá de transição entre o espaço de recreio e a sala de aula.

Na plataforma superior à cota 97.00 reabilita-se o espaço desportivo exterior descoberto mediado por duas zonas verdes arborizadas. Os três volumes que compõem o projeto estão dispostos sobre os 3 patamares do terreno, de maneira que exista um maior aproveitamento dos espaços de recreio exterior que se vão formando a diferentes cotas e fazem a ligação entre elas de maneira subtil.

Os novos volumes assumem a sua presença como um testemunho de um novo tempo e de uma abordagem de matriz contemporânea, que permeia toda a intervenção, incluindo a nova fachada do ginásio existente a reabilitar.

Os revestimentos em betão armado “à vista “ e o tijolo “burro” assumem a condição do material como estrutura, revestimento e acabamento final, permitindo rapidez na execução e durabilidade no uso.

Está crueza material e clareza funcional remetem para várias referência da arquitectura do movimento moderno, tanto em Portugal com os exemplos do arq.º Rui Athouguia na escola secundária Padre António Vieira e Fundação Gulbenkian como na europa com o arq.º Alvar Aalto e as suas Universidades de Jyväskylä e Politécnica de Helsínquia.

Acessibilidade e espaços exteriores

A organização dos espaços exteriores baseia-se no conceito de «Pátios Oásis», de forma a proporcionar uma resposta global aos diferentes desafios climáticos e educativos.

Trata-se de uma abordagem inovadora que transforma os pátios escolares tradicionais num ambiente mais natural e ecológico.

O objetivo é criar um local mais agradável, propício ao brincar, à aprendizagem e ao relaxamento, promovendo a biodiversidade e combatendo as ilhas de calor urbanas.

As principais características deste tipo de intervenção são o aumento das zonas verdes, a “desimpermeabilização” dos solos, a utilização de materiais sustentáveis (reutilizados, reciclados e/ou inovadores), a participação dos utilizadores, a instalação de elementos lúdicos com uma distribuição de zonas calmas e zonas mais ativas, etc.

A integração de pátios-oásis nas escolas traz inúmeras vantagens: melhoria do bem-estar de crianças e adultos, sensibilização para o ambiente, abertura a novos métodos e pedagogias de ensino, adaptação às alterações climáticas, redução das desigualdades sociais, etc.

O recreio foi pensado como um espaço dinâmico, inclusivo e multifuncional, que responde às diferentes necessidades e ritmos dos alunos ao longo do dia.

Ágora do aluno

No centro dos edifícios, encontra-se a ágora, um pátio no meio dos edifícios onde os alunos se podem sentar e conviver antes de se dirigirem para as diferentes zonas da escola. Este espaço funciona como ponto de encontro e de circulação, promovendo o diálogo e a socialização.

 

Pátio de distribuição das salas de aula

Uma parede vegetal será instalada em toda a altura do logradouro do bloco principal de aulas. Esta parede integra o sistema previsto para as coberturas verdes, desenvolvido mais adiante.

A integração de um elemento vegetal monumental no interior do edifício terá várias funções. Será um ponto de referência estético reconhecível por todos, conferindo um carácter único a esta parte da escola. Será também um ponto de referência geográfico importante e facilmente identificável durante os deslocamentos dentro do recinto da escola.

Visível a partir das salas de aula, contribuirá para um aumento significativo do bem-estar dos alunos e do corpo docente. Os impactos mais importantes dizem respeito à redução do stress, ao aumento da concentração, da criatividade e do estado geral de saúde.

Jardim sensorial

Para as pessoas que sofrem de síndrome autista, as atividades no jardim são uma oportunidade para restabelecer laços sociais e recuperar uma certa calma num ambiente seguro.

Vários princípios irão definir a composição dos arranjos exteriores:

–              Uma estrutura geral simples com espaços claramente definidos;

–              Percursos claros, confortáveis e previsíveis;

–              Linhas suaves;

–              Transições cuidadosas com a construção;

–              Zonas de recuo protegidas do ruído e de estímulos excessivos;

–              Cores suaves;

–              Aromas suaves;

–              Sem recantos ou vegetação densa e opaca à vista;

As plantas são um excelente suporte para estimular os sentidos: cores, aromas, texturas, ruídos provocados pelo vento, etc. Além disso, permitem compreender a dimensão temporal, observando a evolução ao longo do tempo.

Pretende-se a integração de um jardim sensorial de forma a despertar os sentidos «abandonados». Permite reduzir o stress e a ansiedade, aumentar as capacidades motoras e estimular as faculdades cognitivas e sensoriais. É também uma importante ferramenta de socialização e inclusão.

O jardim sensorial está localizado perto das salas de alunos com Necessidades Especiais Educativas. Isto torna-o mais familiar, uma vez que é visível de forma contínua e reforça a sensação de segurança. O seu acesso é acompanhado e limitado aos períodos de aulas ou atividades específicas. É possível imaginar que esta estrutura também seja acessível fora do horário escolar, aos fins de semana ou durante as férias, para profissionais e atividades extracurriculares. Tal disposição diminuiria o stress causado pela mudança de ritmo, especialmente durante o período mais longo do verão, e facilitaria o trabalho das equipas educativas.

Vários objetos equipam o jardim, cada um estimulando os sentidos. Visão, audição, tato, olfato e paladar, mas também elementos que permitem trabalhar a propriocepção (posição) e as capacidades vestibulares (movimento e equilíbrio). A proposta integra elementos fixos distribuídos num percurso determinado entre zonas ajardinadas.

 

 

 

Programa: Escola Básica Professor Delfim Santos

Localização: Alto dos Moinhos, Benfica, Lisboa

Ano/Fase: Concurso Público, 2025, Proposta – 8º classificado;

Promotor: Lisboa Ocidental SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana E.M., S.A.

Arquitectura: LUPAstudio

Área Bruta de Construção: 11770,00m²

Date

14/04/2026

Category

Concursos, Educativo, Equipamento