LUPA - Architecture Studio, Lisbon, Portugal | Multiusos das Lajes do Pico, Açores; LUPAstudio - Proposta a concurso
Proposta submetida pela LUPAstudio, para o Concurso Público do Multiusos das Lajes do Pico, no Pico, Açores.
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CC.AMUP.30

Multiusos das Lajes do Pico – Concurso Público

Conceito e enquadramento da proposta

 

A proposta para o Multiusos das Lajes do Pico nasce de uma ideia poética em que surge no local um novo abrigo para a tradição musical do arquipélago dos Açores. O edifício nasce de um conceito de edifício-pedra de basalto, elemento natural pertencente à ilha que acolhe e perpetua essa tradição. A irregularidade formal do volume é dada pelas faces angulares geradas pelo alinhamento com o eixo do topo da Montanha do Pico e com os eixos da Escola dos Centenários, preexistência que ancora a proposta na memória e na escala do lugar.

O edifício toma como referência directa o acidente geológico do concelho das Lajes do Pico, o Castelete, e encontra ressonância formal na Casa da Música no Porto, da autoria do Arquitecto Rem Koolhaas.

A intervenção compreende dois elementos complementares e autónomos: o novo volume do Multiusos, dedicado ao programa performativo e de ensino musical, e a Escola dos Centenários reabilitada e convertida num espaço cultural polivalente para exposições, conferências, aulas de música e apoio à comunidade. Os dois edifícios funcionam de forma independente, mas articulada, unidos por um percurso exterior qualificado e por um jardim intermédio que constitui o terceiro elemento estruturante do conjunto.

A implantação da proposta resulta de uma leitura atenta da morfologia territorial e urbana das Lajes do Pico, procurando estabelecer uma relação clara entre a nova construção, a preexistência edificada e os sistemas espaciais envolventes. A solução parte do reconhecimento do forte valor paisagístico e simbólico da Montanha do Pico, assumindo o seu eixo visual como um dos principais geradores da geometria do novo volume.

O edifício do Multiusos assenta sobre uma plataforma sobrelevada em cerca de 1,50 m face ao terreno existente, solução que responde às cotas do terreno e introduz uma medida preventiva face ao risco de cheia e galgamento costeiro identificado para a área. Esta estratégia é complementada pelo desenho da parcela exterior, onde a modelação topográfica e o sistema de bacias de retenção contribuem para a gestão hídrica do local.

O espaço público exterior é entendido como extensão da arquitectura, integrando percursos pedonais, zonas de permanência e a requalificação da eira existente. A ligação entre a Escola dos Centenários e o novo Multiusos é assegurada por um percurso exterior qualificado — contínuo e desenhado com materialidade coerente com o conjunto —, permitindo autonomia funcional de cada edifício e leitura unitária do conjunto. Está igualmente prevista a reabilitação do campo de jogos existente, mantendo a cota actual.

O espaço exterior integra referências directas à identidade da ilha: os Currais da Vinha do Pico inspiram a lógica dos muros de basalto que acompanham os percursos, e os pavimentos de cor avermelhada evocam os percursos tradicionais da ilha, a cor da telha do edifício existente e as portas vermelhas características do lugar.

Princípios da Conceção Arquitectónica e Paisagística

 

A linguagem formal da proposta parte da leitura geológica da ilha, traduzindo a ideia de um rochedo de basalto esculpido pela acção vulcânica e pela erosão. As faces do edifício são esculpidas a partir dos eixos geradores — o topo do Pico e a Escola dos Centenários —, conferindo ao volume uma geometria que não é arbitrária, mas resultante da lógica do lugar. O conjunto dos volumes tem a forma de um rectângulo com os cantos truncados, resultando numa presença telúrica e contida, coerente com a escala da vila e com a força da paisagem envolvente.

O auditório orienta-se no eixo nascente-poente, com o átrio principal voltado a poente e ao mar, e os bastidores voltados à vila e às confrontações directas. O volume das salas de ensino desenvolve-se a sul do auditório, com vãos orientados a sul e em relação directa com a Escola dos Centenários e o jardim intermédio. Uma carapaça envolvente unifica os vários volumes — auditório, escola de música e elementos a nascente — numa leitura de edifício único, coerente na sua expressão exterior.

A composição da fachada incorpora uma lógica rítmica inspirada na linguagem musical associada ao legado do Maestro Manuel Emílio Porto. A modulação dos vãos e elementos opacos traduz uma cadência sequencial que remete para a noção de partitura, conferindo ao alçado uma leitura dinâmica e uma identidade simbólica ligada à vocação cultural do edifício. A fachada é revestida a pedra de basalto gatada, com fixação em aço inoxidável e isolamento em lã mineral, solução que garante continuidade com a linguagem material da ilha e desempenho adequado face às condições climáticas atlânticas. A porta de entrada principal é pintada de vermelho, remetendo para a simbologia das portas vermelhas características do lugar, presentes também na Escola dos Centenários, estabelecendo uma continuidade simbólica entre os dois edifícios. O grande vão no átrio, orientado para o topo do Pico, enfatiza a relação do edifício com a montanha e constitui o momento de maior expressividade da fachada poente.

 

 

 

Programa: Multiusos das Lajes do Pico

Localização: Lajes do Pico, Ilha do Pico, Açores

Ano/Fase: Concurso Público, 2026, Proposta Desclassificada;

Promotor: Câmara Municipal das Lajes do Pico

Arquitectura: LUPAstudio

Especialidades: Nichos Urbanos

Área Bruta de Construção: 1 532,2m² Construção Nova; 206,30m² Reabilitação; 5 663,00m² Arranjos Exteriores

Date

24/04/2026

Category

Concursos, Educativo, Equipamento