Multiusos das Lajes do Pico – Concurso Público
Conceito e enquadramento da proposta
A proposta para o Multiusos das Lajes do Pico nasce de uma ideia poética em que surge no local um novo abrigo para a tradição musical do arquipélago dos Açores. O edifício nasce de um conceito de edifício-pedra de basalto, elemento natural pertencente à ilha que acolhe e perpetua essa tradição. A irregularidade formal do volume é dada pelas faces angulares geradas pelo alinhamento com o eixo do topo da Montanha do Pico e com os eixos da Escola dos Centenários, preexistência que ancora a proposta na memória e na escala do lugar.
O edifício toma como referência directa o acidente geológico do concelho das Lajes do Pico, o Castelete, e encontra ressonância formal na Casa da Música no Porto, da autoria do Arquitecto Rem Koolhaas.
A intervenção compreende dois elementos complementares e autónomos: o novo volume do Multiusos, dedicado ao programa performativo e de ensino musical, e a Escola dos Centenários reabilitada e convertida num espaço cultural polivalente para exposições, conferências, aulas de música e apoio à comunidade. Os dois edifícios funcionam de forma independente, mas articulada, unidos por um percurso exterior qualificado e por um jardim intermédio que constitui o terceiro elemento estruturante do conjunto.
A implantação da proposta resulta de uma leitura atenta da morfologia territorial e urbana das Lajes do Pico, procurando estabelecer uma relação clara entre a nova construção, a preexistência edificada e os sistemas espaciais envolventes. A solução parte do reconhecimento do forte valor paisagístico e simbólico da Montanha do Pico, assumindo o seu eixo visual como um dos principais geradores da geometria do novo volume.
O edifício do Multiusos assenta sobre uma plataforma sobrelevada em cerca de 1,50 m face ao terreno existente, solução que responde às cotas do terreno e introduz uma medida preventiva face ao risco de cheia e galgamento costeiro identificado para a área. Esta estratégia é complementada pelo desenho da parcela exterior, onde a modelação topográfica e o sistema de bacias de retenção contribuem para a gestão hídrica do local.
O espaço público exterior é entendido como extensão da arquitectura, integrando percursos pedonais, zonas de permanência e a requalificação da eira existente. A ligação entre a Escola dos Centenários e o novo Multiusos é assegurada por um percurso exterior qualificado — contínuo e desenhado com materialidade coerente com o conjunto —, permitindo autonomia funcional de cada edifício e leitura unitária do conjunto. Está igualmente prevista a reabilitação do campo de jogos existente, mantendo a cota actual.
O espaço exterior integra referências directas à identidade da ilha: os Currais da Vinha do Pico inspiram a lógica dos muros de basalto que acompanham os percursos, e os pavimentos de cor avermelhada evocam os percursos tradicionais da ilha, a cor da telha do edifício existente e as portas vermelhas características do lugar.
































