Escola Básica Paula Vicente – Concurso Público – 4º Classificado
A proposta de requalificação e ampliação da Escola Básica Paula Vicente é concebida a partir da ideia poética e funcional de uma “aldeia escolar”, onde os edifícios são interpretados como casas que, em conjunto, formam um organismo vivo, inclusivo e dinâmico. Esta abordagem afasta-se da lógica do edifício monolítico e introduz um conceito relacional, em que a escola se transforma num microcosmo urbano, com praças, percursos, lugares de encontro e áreas abertas à comunidade, fomentando a integração social, cultural e pedagógica.
A ideia de aldeia assume-se não apenas como uma metáfora, mas como uma estratégia espacial e funcional que privilegia a escala humana, a diversidade e a possibilidade de apropriação dos espaços. Cada volume – existente ou ampliado – é pensado como uma unidade autónoma, mas complementar, e os espaços exteriores deixam de ser áreas residuais para se tornarem praças estruturantes, concebidas para promover convivência, aprendizagem informal e interação entre diferentes utilizadores. Este conceito respeita e potencia os edifícios existentes, mantendo a sua identidade e função, enquanto introduz novos corpos edificados que surgem como extensões coerentes da estrutura original. Os volumes existentes são dois: um corpo contínuo e um corpo a nascente, marcado por uma inflexão, ambos mantidos e ampliados. A estratégia de ampliação consiste na extrusão destes volumes para poente e nascente, criando alas que reforçam a coerência funcional e formal do conjunto. Entre estas expansões, a sua intersecção origina o Volume Central, assumindo-se como espaço de articulação e convergência, enquanto nos extremos surgem novas volumetrias que preservam a lógica funcional dos núcleos originais, mas com uma linguagem renovada.
No conceito de aldeia, as “casas” tradicionais costumam partilhar o mesmo material de construção, conferindo unidade ao conjunto. Inspirados por esta ideia, os novos volumes adotam uma monomaterialidade contemporânea: serão construídos em betão armado pigmentado na cor salmão, de modo que tanto as fachadas como as coberturas exibam o mesmo acabamento manchado. Esta solução cria volumes escultóricos neutros que dialogam subtilmente com as volumetrias originais, reforçando a unidade e, simultaneamente, permitindo que cada “casa” conserve uma identidade própria dentro da aldeia escolar. A organização geral responde a um sistema de ligações claras e percursos intuitivos, unindo os três volumes principais – Volume Central, Volume Poente e Volume Nascente – através de espaços de transição, átrios e praças que se articulam com o exterior. Esta estrutura assegura legibilidade, hierarquização funcional e flexibilidade para usos futuros, em consonância com os princípios do New European Bauhaus, que orientam o projeto na perspetiva da sustentabilidade, inclusão e estética.
A reinterpretação dos espaços exteriores transforma o recreio escolar em verdadeiras praças de aldeia, cada uma com personalidade própria, mas sempre em diálogo umas com as outras. Tal como numa aldeia, onde cada casa se abre para um largo, uma rua ou uma fonte, estes recintos oferecem aos utilizadores lugares de encontro, de brincadeira, de conversa e de descoberta. Cada aluno, docente ou visitante pode ali encontrar o seu recanto, explorar livremente, criar memórias e partilhar vivências, nutrindo relações com os outros e com o ambiente envolvente. É neste conjunto de praças dinâmicas, desenhadas por quem delas usufrui, que a Escola Básica Paula Vicente se revela como um organismo vivo — um espaço de excelência educativa, aberto à inovação, ao convívio solidário e ao florescer de práticas pedagógicas que colocam a comunidade no coração do projeto














